Nômade urbano


imagem: reprodução

Nômade Urbano

(O Rap do morador de rua)

Sou um nômade urbano,

nesta cidade insensata.

De manhã estou na Penha,

à tarde estou na Lapa.

Sou visto na Paulista,

na Gurgel ou na São João,

sob o sol a céu aberto

Ou à sombra do minhocão.

Nenhum albergue me prende.

Não há teoria que dê conta.

O social não me entende,

a violência me afronta.

É que não paro no ponto:

sou da rua, sou trecheiro.

Posso lhe causar espanto

com meu hábito e meu cheiro,

mas, aceitar seu dinheiro

é uma via de mão dupla,

porque mata minha fome

e alivia sua culpa.

Relógio não me adianta

e tampouco me atrasa.

Para mim a pior idéia

é o retorno a qualquer casa.

Não vou partir nem chegar.

Nem quero aprender em lousas.

O que mais me dá prazer

é caminhar entre as coisas.

Nunca faço diferença

entre o público e o privado.

Você coloca limites,

eu rompo o alambrado.

Não tente me enquadrar

num projeto de inclusão.

Saiba que me excluir

é minha revolução.


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